Archive for Novembro 2012

11/28/2012 0

Sumindo

By Almi Junior


Ontem
Conversando com alguém
Que eu não sei o nome
E vive dentro de mim
Fui reparando o quanto de mim some
Quando você some assim
O quanto arde
Ver suas unhas longas e vermelhas
Me arranhando o fim

Mas você sempre me viu tão calmo
Tão paciente
Não estaria acostumada
A me ver tão demente

Fazendo algazarra
Na porta do seu hotel
Quem sabe ir mais além
E atravessar sua pele
Ou menos, ser pequeno
E não passar do papel

Não passar de um cara
Olhando o céu
Com os olhos grampeados
Nos seus cabelos
Como cortinas
Soltas ao vento
Sinto petrificar-me as retinas
E os ouvidos atentos
Mas os pássaros estão mais calados
E até preguiçosos, nem levantam voo

E eu vou
Vendo quanto de mim some
Quando o pensamento me consome
E louco que sou
Escrevo
Pra sumir de pouco em pouco

11/27/2012 0

Vasto mundo

By Almi Junior


Eu não quero uma poesia
Que só rime
Prefiro a poesia
Que sorri-me

E eu sorrio de volta
E não só rio
Como também
Sou rio
Como a poesia me é mar

E se ela me amar
Eu a amarei

E a amarrei
Num dos pés da minha cama
Agora a minha calma
É combustível de poesia

E a cada verso
Meu coração inflama
Infla a alma
E derrama

Quanto drama

11/26/2012 0

Debaixo de uma Jaqueira

By Almi Junior


Como se as folhas no chão não cobrisssem
Os passos de quem um dia
Pertenceu a uma parte de mim
(Há uma parte de mim)

E por mais que os dias passem
Nada tira o cheiro de lembrança daquele lugar

É sagrado em si

Como um espaço suspenso no ar
Resistente como meus antepassados
Que venham ternos, computadores, carros
Passem por cima
Nada ali vai apagar
Nada apaga o brilho do meu olhar
Ao ver que um dia meus avós estiveram ali
Ao ver quantos de nós estivemos ali

Os olhos enchem d'água
E criam a sensação líquida
De ter vidas passadas
Memórias aladas
Nas costas de um javali que corre
Meu coração rápido
Como corre o rio
Uma saudade desconhecida me ocorre
De tudo que alguém em mim
Em algum outro dia viu
Agora me explode o peito

É sagrado por si

Me bloqueia a garganta
E ativa todos os sentidos
E tudo começa a fazer sentido
Aqueles olhares são meus olhares
São meus olhos que deixei em algum lugar no passado
Agora sinto o presente desses olhos
Me acompanhando pelos ares

Eu não quero que minha alma se esqueça jamais
De ter estado em um lugar
Que além de trazer a vida
Me trouxe a paz
Resgatei o que há tempos atrás
Era só poeira em minha vaga mente
Hoje se faz carne e espírito

Aos meus
Todo o mérito

Deixo aqui meu orgulho infinito
Auêry

11/20/2012 2

Viagem da sua voz

By Almi Junior


A sua voz a noite
Toma outras formas
Faz abrigo em meu ouvido
Invade os horizontes da minha calma
Escolhe bem as palavras
Num misto de gemido
E música
Canta
Nos cantos do meu desejo
E a tua voz me empareda
E feito pedra
Afundo
Afogo
Emudeço os olhos
Pra escutar melhor
Suas propostas
Suas vontades expostas
O arrepio que te cobre as costas
E me descobre o pudor
Sinto o calor
Dos seus dentes sobre o meu peito
Queimando todos os preceitos
Incendiando a minha mente de menino
Com sua risada de mulher
Não sei quando você me quer
Ou quando quer me tirar de mim

Entre nós
Uma distância cruel
Fios de telefone
Pássaros indo pra casa
Indo até onde a lua some
E a sua voz cortando o céu

Faz da minha liberdade seu brinquedo
Não gravo suas imagens
Mas guardo em segredo

11/16/2012 0

Lembrança em fumaça

By Almi Junior


Quem dera fosse o tempo
Advento
Sagrado
E ser paciente
Caminhasse com o vento
E que esse mar salgado
Contribuísse
Mas quem disse?
É como se o tempo
Fosse a minha prisão
E cada conchinha dessa
Do fundo do mar
Fosse uma presilha tua
Que você sempre deixa no chão
Esse mar tá cheio é de saudade sua
Parece até o meu coração
Que enche e esvazia
Dependendo da estação
Ou da posição da lua
Que de tanta saudade sua
Quer ser estrela
Ficar no meio de uma constelação
Parece até brincadeira
Mas você desregula tudo
Quando não está por aqui
Falta seu sotaque gingado
Seu cigarro de lado
E a sua fumaça
Me esfumaçando até eu sumir
Pra você me tragar de volta
E só me traga de volta
Se for pra não dormir
Dormindo
A gente perde a melhor parte do dia
Aquela hora que não é nem noite
Nem dia

11/15/2012 0

Reflexão de feriado

By Almi Junior


No fim das contas
Eu só queria
Alguém que me trouxesse de volta
Para a poesia
Estas folhas de caderno e suas linhas azuis
Essa tela de computador e a sua luz
A sua luz
Também
É isso que eu queria
Poder escrever com os olhos
Perceber o mundo ao meu modo
Sem precisar mentir para mim mesmo
É isso que eu queria
Talvez mais algumas coisas
Talvez mais algumas folhas
E mais poesia
Eu chegaria a essa conclusão
Mais dia
Menos dia

11/14/2012 2

Descontrole

By Almi Junior


O assunto mais repetido
É o meu sono
Que vive perdido
Porque minha mente
Incansavelmente
Se embaraça
E não tem cachaça
Pra descer meus gritos vivos

Escrevo
Porque não cabe em um copo
A minha angústia
Transborda até em folha
Mas a poesia
Não me deixa escolha

Como água descendo no ralo do banheiro
Me vou
Poesia abaixo

Minha alma já não cabe em mim
E não me deixa em paz
Mas eu prefiro assim
Toda alma que se preze
Tem de ser capaz
De viver em cinese 

11/08/2012 2

Flores na chuva

By Almi Junior



Vi uma flor dançar na chuva
E se transformar em mulher
A cada gota que deslizava
Cada pétala se tornou pele
Virou vestido
E ela girava
Como ave estranha no ninho

Surgia entre os cabelos molhados
Um sorriso incomum
Uma imagem desconhecida
Mas tão familiar

Vontade de estar perto
E ver além das pétalas
De estar na chuva
E ver aquela mulher ser flor
Tão linda
Tão incompreendida
Tão incompreensivelmente linda

E tudo aconteceu
Como em um sonho
Não consigo diferenciar as cores
Os perfumes
E não consigo descrever perfeitamente o seu sorriso
É tudo tão sagrado
E tão estranho

Mas estranhos são os olhos
Que ainda não foram feitos pra te ver
Estranho é o ninho
Que não comporta você

Nunca pensei que a chuva
Me causaria todas essas alucinações

Chuva tem mania de virar poesia.

11/06/2012 0

Vago

By Almi Junior


Espero que o sol
Não suporte o calor que faço
Espero que a chuva chore
Se eu esquecer algum pedaço
Faltando ou não
Intencional ou não
Eu faço
Espero que não tentem entender isso
Não quero que entendam
Meu único compromisso
É deixar que não me prendam
Espero ouvidos capazes de suportar o meu grito
Porque calado eu não fico
E esse silêncio me tortura a paz
Espero roupa molhada
Boca salgada
Poesia de calçada
Ver a vida traçada 
Num traço de Picasso
Que é pra poucos entenderem
Que felicidade é assim
É obra inacabada
Ou que achem que este é o fim
Mas esse negócio de final
Tira toda beleza das coisas
Tirem todas as belezas
E todas as coisas
Eu espero pessoas
Que não me entendam

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