10/16/2015 2

Resposta

By Almi Junior

Dueto de Almi Junior e Natacia Araújo




Colado ao vento, copulo com o verbo
Pois, o poema quer viver
Mire bem que, em teu cheiro (folha única)
Tenho pátio mágico com todos os encantos do mundo

A letra mais intensa 
Marca minha pele como um sonho frio
Sei que é deste lado que o poema desenha seu rosto
Sei que é este lado do seu rosto
Sugerindo poemas

Os dedos ficam aninhados no mergulho das pupilas 
Este é um alívio transgressor, evocando presença solta
Acontecimento de minha própria humanidade.
Prevejo uma embriaguez saltando da língua
E a fúria criativa entranhada no corpo

Prevejo a sua imagem me olhando na superfície da água 
Ouço antecipadamente 
A sua voz me responder quando grito no abismo

Tua poesia dá razão ao meu barato
As mãos, em transe, digitam coreografadas teu colorido
Nasce multidão no buraco de nossas palavras que,
invoco e danço 
(Não se esqueça: no útero do céu, tudo é agora)

9/29/2014 1

Míope

By Almi Junior


O cheiro da noite
Clareou a sombra dos olhos
E instaurou-se
Uma suposta paz
Que ainda nos acolhe a fúria

Hipoteticamente
Presos
Num falso espaço
Onde não resta mais
Que palavras

Eu perdi os óculos
E finalmente
Vi a realidade


9/03/2014 0

O seu nome no poema

By Almi Junior


O seu nome
Não está
No poema
Mas está

Basta olhar
Nas palavras
Ainda não escritas
Ou
Não inventadas
Que não existem
Mas existem

O seu nome
Está no silêncio
Quando a metáfora
Ultrapassa o poema

Pode olhar
O seu nome não está lá
Mas está
Bem ali
Onde ele
Não foi dito

7/25/2014 1

Estava lá

By Almi Junior


Sempre penso
Que meus pais esperavam qualquer coisa
Menos 
Gerar um poeta

Espinho
Que sangra ao tocar em flores

Dei muito trabalho a eles
Acordados durante a noite
Tentando me acalmar
"Calma filho
Não tem nenhum poema debaixo da sua cama"

Mas tinha
E tem

Debaixo da cama dentro do armário dentro das gavetas dos bolsos no quintal de noite derrubando as panelas abrindo a torneira da pia do banheiro jogando pedrinhas na minha janela me chamando pra sair puxando o meu pé 

Um dia eu sai
E nunca mais voltei

Nunca saberei se foi um sonho. Ou se ainda é.

7/07/2014 0

Insista

By Almi Junior


Névoa
Leve
De manhã
Leve
Embora
Meu afã

Mens
Sana
In
Corpore
Sano

Mens
sa
gem
Em sã
Consciência

Algo
Me diz
Com ciência
Insano
Ande
Onde
Os pés
Não
Pisam

Névoa
Abaixa
Mas
Não
Vejo
A pista

5/23/2014 2

Filosofia de ônibus

By Almi Junior


Eu sou tudo
E todos
Em plenitude
E me sou
Aos poucos
A minha própria incompletude

A vertigem ilude
Me faz pensar
Por um segundo
Que sou apenas um
Mas desta altitude
Eu consigo me visualizar
Em zoom

Eu sou todos
E tudo
E nas horas vagas
Sou os outros

4/15/2014 1

Curiosidade crescente

By Almi Junior


Quando era mais novo
Tentava entender a lua crescente
A minha mente
Imaginava um sorriso luminoso no céu
O ser gigante, dono do sorriso mais brilhante
Estaria atrás
Coberto pelo véu da noite

Foi então que me disseram
Essa é a unha de Deus

Imaginei que um dia
Deus iria nos coçar
Como pulgas

Iríamos para debaixo 
Da reluzente plataforma sobrenatural
E enfim seriamos levados todos
Para o alto astral

Estaríamos finalmente
Carne e unha
Com Deus

3/18/2014 0

Lágrima eterna

By Almi Junior

(Imagem: Timothy Sabins)

Agora
Em luto
Eu luto
Pela sua memória
Sua imagem implacável na poltrona
Sentado
Como um mestre ancião

Agora eu vou
Mas te levo comigo, Vô
Embora sua majestade
Não caiba no meu coração

* * *

Em memória de Ademar, Grande Dema, meu avô. Deus é contigo.

3/10/2014 0

Um poema só

By Almi Junior


Ela gosta de observar o nada
E sentar-se perto de praia
Que é onde os sonhos costumam vir
Acordados


E veleja 
Beija o tempo no rosto
Aí ele rasteja
Besta


Como uma onda cega
Como um vento surdo


O mar se agita
Quando a morena bonita
Para
Bem ali
E para o mundo

2/26/2014 0

Data solúvel

By Almi Junior


Não vejo a hora
Para mim
É sempre agora

Quero desalinhar-me com o sol
E alongar as esquinas

Que a saudade aumente
E engula-me
Mas que eu desça rasgando
Como se tivesse uns
Quarenta por cento de álcool

Não ser fácil de digerir
E dirigir meu próprio filme
Um drama cheio de monólogos semi-existenciais
Uma fotografia de prender as pálpebras
E tudo mais

Não vejo o dia
Não olho no calendário
A agonia do meu diário é ser papel-compromisso
Registro matemático
Uma data
Que passa
E só

Não vejo a hora
De te encontrar
No meio do nada
Pra fazer nada
E falar sobre nada

Felicidade não tem hora marcada

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