12/12/2012 0

Não sei nomear-te

By Almi Junior


A aflição dos meus dias
É a cor que falta na montanha
É o que ainda está por vir
É o que já fui
E o que me fizeram
É o que fiz
Ou deixei de fazer
É o sol tapado com a peneira
É a barra da grade da cela da prisão
Que ainda não serrei
São meus olhos cerrados
Por natureza
Eu ser errado
Por natureza
É o pretexto que arrumo
Ou que entrego desarrumado
É o meu texto vagabundo
Meio dobrado
De lado
É a mão que eu deixei de estender
E deixei cair
É o fundo do poço que não me machuca
A minha poesia maluca
É o que me aflige
É o que finge ser minha aflição
A fiação que me cobre
As pedras que eu cubro
Tudo
É muro que faço
Dentro de mim
Há um espaço
Que eu nunca descubro
Guardo cada estilhaço
Como pedaço de mim
Não sei nomear-te
Não sei se é nome
Ou arte
Ou disparate

Leave a Reply

Quem controla os seus versos?

Mais acessados

Ocorreu um erro neste gadget

Blogroll

About

Blogger templates

Blogger news