3/06/2013 1

Não fico

By Almi Junior


Eu atravesso as catracas
Todas as manhãs
E contemplo a imensidão de rotinas
Enchendo as minhas retinas
Eu vejo os veículos perfurarem
O vento
E ficamos presos no tempo
E em nós mesmos
Prisão feita de gritos pálidos
De olhares gelados
E abraços frouxos

O amor ainda mora aqui
Mas ninguém faz questão de chamar ele pra sair

Eu vejo as nuvens salgadas
Me perguntarem
Porque é que sai sal dos meus olhos
E porque transpiro solidão
Eu vejo o céu me chamar
Minha alma quase me arrebenta o peito
Querendo se libertar
Ganhar cada constelação
Beijar cada astro fervente
Minha alma quer deixar de ser semente
Quer penetrar no solo
Germinar
Virar plantação

Eu vejo a hora de parar
Mas não me vejo obedecendo horas

One Response to “Não fico”

  1. Guilherme says:

    Tuas sementes falam à rotina, a poesia.

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